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04/04/07

Conto de Páscoa

«Sentado na beira da calçada , com um ovo de chocolate pequenino nas mãos , olhar sério , aquele menino se pôs a imaginar. Havia muitas coisas que ele não entendia, por mais que tentasse.

Durante a semana toda, na escola, na rua , em casa , em todos os lugares só se ouvia falar de Páscoa , coelhinho e ovos de chocolate. A professora até colocou Jesus no meio da história, mas só aumentou a sua confusão; ele não conseguia organizar o pensamento. Jesus não é aquele que nasceu no Natal? Faz tão pouquinho tempo, e ele já morreu??!!

Não, decididamente ele não entendia nada . Não sabia exatamente o que uma coisa tinha a ver com a outra. Afinal de contas, por que comemorar, se Jesus morreu? Por que os ovos são de chocolate? E o coelho, o que ele faz nessa história?
Complicaaadooo!!!! Separava somente as coisas que entendia , e sabia o que era...

Entendia que estava esperando ganhar um ovo bem grande, daqueles que tinha visto na televisão, embrulhado num papel brilhante e com um laço de fita vermelha , que não veio, e ele sabia por quê: o dinheiro não deu.

Ele sabia. Nem seu pai e nem sua mãe tinham prometido dar-lhe um ovo de páscoa; e ele sabia, também, que o coelhinho não o trazia para ninguém. Então, como é que ele poderia satisfazer a sua vontade de comer chocolate? Como ia passar o domingo de páscoa sem comer ovo de páscoa? E a idéia veio assim, de repente!!! Por que não???

Foi até o primeiro semáforo daquela movimentada avenida e, quando o sinal ficava vermelho ele se lançava entre os carros e ia pedindo:

"Moço, dá um ovo de páscoa pra mim?"

"Senhor, poderia me dar um ovo de páscoa?"

"Moça , dá um ovo de chocolate pra mim?"

Assim, ia pedindo e ouvindo as mais esfarrapadas respostas, quando alguém respondia .

Até que, enfim, parou um carro velho, todo manchado de ferrugem. Dentro, um homem com cara de bravo ... Ele tomou coragem, foi até lá e arriscou o mesmo pedido:

"Moço , eu quero um ovo de páscoa" .

E qual não foi sua surpresa quando aquele homem pegou, no banco do passageiro, um embrulhinho e lho estendeu pelo vidro.

"Brigado, moço!!!"

E saiu em disparada.

De volta à sua calçada, ele olhou o ovinho e sorriu feliz. Afinal, agora ele comemoraria a Páscoa.»
Autor Desconhecido
Pois é, a Páscoa está aí. E vocês já comeram um ovinho de chocolate hoje. Pois é, vi este continho de Páscoa e fiquei cá a pensar que no nosso dia a dia não vemos meninos no semáforos a pedir um ovinho de chocolate, hoje em dia apenas vemos emigrantes de leste, crianças vigiadas por ordenantes, velhinhos e/ou aleijados a pedir esmola ou a vender de tudo um pouco. Infelizmente, é a nossa realidade, mas tristezas à parte quero desejar-vos uma ...

Beijokas e um Xi-Y

02/04/07

Vamos agarrar o arco-íris

Carolina era uma menina que vivia no campo e gostava tanto e correr e de saltar! Às árvores trepar era um gosto desde manhã ao sol-posto!
- Carolina! Ó Carolina! - sua mãe dizia: - Sempre a correr! Que andas tu lá fora a fazer?
Mas ela já nem ouvia. Corria, corria:
- Ó Afonso! Francisco! - Gritava, chamando os amigos - Manuel! Venham muito depressa! Está quase a chover; mas venham todos ver! Está acolá um arco-íris tão lindo!
Num instante, estavam todos a olhar para o céu, a ver o arco-íris.
- Ai! Que bonito! É mesmo muito bonito! E tem tantas cores! – disseram em coro.
E o José:
- Vamos agarrá-lo? Eu quero a cor vermelha!
- E eu – disse a Carolina – quero aquela que é igual às violetas da vó-vó!
- E eu a verde - disse o Francisco - igual à minha nuvem.
- Para mim é a amarela! – disse o Manuel.
E o Afonso:
- A minha - já todos sabem - é a azul.
- Vamos, vamos lá agarrar as nossas cores. - dizia o José.
E o Afonso, todo despachado:
- Eu acho que não é nada longe! Se correrem todos atrás de mim, vamos lá chegar num instante.
- Cuidado com o Manelito - dizia o Francisco – que ainda é pequenito! Mas não faz mal; eu ajudo. Dá cá a tua mão, sim?
E o Afonso:
- Pois é! Isto é tudo muito perigoso para o Manel!
E corriam... corriam...
Mas... mmmm... mmmm... Fazia a Carolina:
- O arco-íris está a fugir-nos! Se calhar pôs-se a jogar às escondidas connosco! Assim nunca mais o apanhamos!
- Pois é... - respondeu o Francisco. – Também já não estou a ficar contente, porque o arco-íris vai fugindo, fugindo, e fica cada vez mais longe de nós!
E a Carolina:
- Sentem-se todos aqui a descansar, que eu vou chorar... Só um bocadinho!
E então, todos ali sentados, estavam à espera que ela chorasse aquele bocadinho.
Mas... foi então que chegou o João, que por ser mais velhinho sabia muitas coisas a respeito do arco-íris que no céu se pode ver, quando está para chover.
- Agarrar o arco-íris?! Mas isso não pode ser! - Disse. E lá explicou: O arco-íris é a luz branca do sol, que se “desmancha” toda quando passa pelas gotinhas da chuva e apresenta aquelas sete cores que estamos todos a ver, das quais já não posso escolher muito, porque só me deixaram duas! Bom, escolho o laranja. O índigo não fica escolhido. É muito bonito, o arco-íris, pois é! Mas é só para ver, não se pode prender! Portanto, meus amigos, vamos mas é lanchar que a fome já está a apertar...
Lá voltaram todos para casa da Carolina. Esperava-os uma mesa cheiinha de coisas boas: pipocas, pão fresco, queijo, compota, leite, sumo e também chocolates.
E ficaram todos tão ocupados e entusiasmados, que nem perceberam que, lá fora, também já a terra ia bebendo as grossas gotas da água da chuva que ia caindo do céu.

Texto escrito por Dulce Vieira, em Contos infantis, 2001
Beijokas e um Xi-Y
Atenção: Ver caixa de "Truques e Dicas", «Como fazer um arco-íris»