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02/05/07

Poesia para crianças

A Avó

A avó, que tem oitenta anos,
Está tão fraca e velhinha! . . .
Teve tantos desenganos!
Ficou branquinha, branquinha,
Com os desgostos humanos.
Hoje, na sua cadeira,
Repousa, pálida e fria,
Depois de tanta canseira:
E cochila todo o dia,
E cochila a noite inteira.
Às vezes, porém, o bando
Dos netos invade a sala . . .
Entram rindo e papagueando:
Este briga, aquele fala,
Aquele dança, pulando . . .
A velha acorda sorrindo,
E a alegria a transfigura;
Seu rosto fica mais lindo,
Vendo tanta travessura,
E tanto barulho ouvindo.
Chama os netos adorados,
Beija-os, e, tremulamente,
Passa os dedos engelhados,
Lentamente, lentamente,
Por seus cabelos, doirados.
Fica mais moça, e palpita,
E recupera a memória,
Quando um dos netinhos grita:
"Ó vovó! conte uma história!
Conte uma história bonita!"
Então, com frases pausadas,
Conta histórias de quimeras,
Em que há palácios de fadas,
E feiticeiras, e feras,
E princesas encantadas . . .
E os netinhos estremecem,
Os contos acompanhando,
E as travessuras esquecem,
— Até que, a fronte inclinando
Sobre o seu colo, adormecem . . .
by Olavo Bilac


Este texto é dedicado à minha avó que, se ainda fosse viva, teria completado ontem 86 anos. Sim, ontem, dia 1 de Maio, Dia do Trabalhador, um dia que não só é dedicado aos trabalhadores como não poderia ter sido mais adequado para celebrar o dia do seu nascimento, pois foi sempre uma mulher de muito trabalho, uma lutadora que trabalhou até ao dia em que faleceu. Nunca parava, apesar dos muitos problemas de saúde que tinha, era capaz de dizer sempre uma palavra amiga com força suficiente para pôr qualquer um para cima. OBRIGADA AVÓ por teres existido na minha vida, obrigada por tudo aquilo que nos transmitiste e obrigada por teres sido uma mulher com força suficiente para te manteres ainda viva no meu coração.

Beijinhos e um Xi-Y

24/04/07

Poesia para Crianças

A Boneca

Deixando a bola e a peteca,
Com que inda há pouco brincavam,
Por causa de uma boneca,
Duas meninas brigavam.
Dizia a primeira: "É minha!"
— "É minha!" a outra gritava;
E nenhuma se continha,
Nem a boneca largava.
Quem mais sofria (coitada!)
Era a boneca. Já tinha
Toda a roupa estraçalhada,
E amarrotada a carinha.
Tanto puxaram por ela,
Que a pobre rasgou-se ao meio,
Perdendo a estopa amarela
Que lhe formava o recheio.
E, ao fim de tanta fadiga,
Voltando à bola e à peteca,
Ambas, por causa da briga,
Ficaram sem a boneca . . .

by Olavo Bilac

Bonecas e Bolas de Trapos
No tempo dos meus pais e avós, muitas das crianças para terem um brinquedo tinham que ser elas próprias a construi-lo com as suas mão, não havia a facilidade de hoje em dia em ir a uma loja e comprar um brinquedo. No entanto, apesar das bonecas não falarem, cantarem, rirem ou chorarem, tinham muito mais valor do que as de hoje em dia, ou porque era feita pelas mãos que iriam brincar com ela, ou porque tinha sido algum parente chegado que com amor lhe tinha feito aquele miminho. No entanto, não penses que é díficil fazer uma Boneca de Trapos, ou que é preciso ter algum dom especial, basta queres muito e vais ver que consegues e a cada nova tentativa que faças, vais sempre conseguir aperfeiçoar-te um pouco mais. Para se fazerem Bonecas de Trapos são necessários alguns utensílios e materiais como por exemplo: linhas, lãs, restos de tecidos de várias cores, agulhas, tesouras e dedais, marcadores ou canetas coloridas e muitaa imaginação ...
Pega-se num pedaço de pano e cortam-se duas partes com a forma do corpo. Depois cose-se e deixa-se um bocadinho aberto para se encher o corpo da boneca. Por fim, enche-se com trapos, papeis ou com algodão, cose-se a parte que ficou aberta e o corpo da boneca está pronto. Faz-se novamente o mesmo, mas desta vez com a forma da cabeça da boneca e cose-se ao corpo que ja temos feito. Para a boneca ficar mais bonita, fazem-se roupas e para o cabelo fazem-se tranças em lã ou pode-se colocar lã desfiada. Os olhos a boca e o nariz podem ser pintadas ou bordados.

Podes ainda fazer as tuas próprias Bolas de Trapos, que são ainda mais fáceis de fazer, basta arranjar uma meia de vidro de senhora enchê-la, cosê-la dos dois lados de forma a ficar redonda e já está...

Agora põe mãos à obra e vais ver que te vais divertir tanto ou mais do que com aqueles brinquedos caros que anunciam na televisão, principalmente porque vão ser feitos por ti. Diverte-te e boas brincadeiras...

Beijokas e um Xi-Y

Poesia para Crianças

O Tempo

Sou o Tempo que passa, que passa,
Sem princípio, sem fim, sem medida!
Vou levando a Ventura e a Desgraça,
Vou levando as vaidades da Vida!
A correr, de segundo em segundo,
Vou formando os minutos que correm . . .
Formo as horas que passam no mundo,
Formo os anos que nascem e morrem.
Ninguém pode evitar os meus danos . . .
Vou correndo sereno e constante:
Desse modo, de cem em cem anos
Formo um século, e passo adiante.
Trabalhai, porque a vida é pequena,
E não há para o Tempo demoras!
Não gasteis os minutos sem pena!
Não façais pouco caso das horas!



by Olavo Bilac