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03/04/07

Provérbios Populares - "ABRIL" e "ARCO-ÍRIS"

"ABRIL"

«Abril, águas mil.
Abril, águas mil coadas por um funil.
Abril, águas mil coadas por um mandil; em Maio, três ou quatro.
Abril águas mil,coadas por um mandril.
Abril, águas mil e em Maio, três ou quatro.
Abril, águas mil coadas peneiradinhas por um mandil.
Abril, águas mil,cabem todas num barril.
Abril molhado, sete vezes trovejado.
Abril, ora chora ora ri.
Abril, tempo de cuco, de manhã molhado e à tarde enxuto.
Água de Abril é a água do cuco, molha quando está enxuto.
Água de Abril, peneirada por um mandil.
Ao princípio e ao fim, Abril costuma ser assim.
Ao princípio e ao fim, Abril costuma ser ruim.
É próprio do mês de Abril as águas serem às mil.
Em Abril, águas mil.Em Abril, águas mil, canta o carro e o carril.
Em Abril, águas mil, coadas por um funil.
Em Abril, águas mil coadas por um mandil.
Em Abril, águas mil e em Maio, três ou quatro.
É próprio do mês de Abril, as águas serem mil.

Não há mês mais irritado que Abril zangado.
No princípio ou no fim, Abril é ruim.
No princípio ou no fim de Abril é sempre ruim.
No princípio ou no fim, Abril é sempre ruim.
No princípio ou no fim costuma Abril é sempre ruim.

Sol de Abril, abre a mão, deixa-o ir.
Sol de Abril, quem no vir, abra a mão e deixe-o ir.
»

Este é um provérbio popular, dedicado às chuvas de Abril que este ano se têm mostrado.Como eu já referi, no meu texto de abertura do blog, este é um blog dedicado às crianças, no entanto, apesar de ser feito a pensar nelas, serve também para os pais e avós terem algo para lhes contar. Assim, queo neste blog reunir textos, actividades e afins que nos façam voltar à infância e que possam induzir os educadores (pais, educadores, ou outros que lidem com as crianças) a transmitir-lhes mais do que apenas a televisão e os jogos para PC e consola lhes podem oferecer. Vamos voltar a ver as crianças a brincar à apanhada, às escondidas, a saltar à macaca ou a jogar ao berlinde. Continuando numa onda de provérbios populares, e aproveitando o facto de ontem ter postado um conto sobre o Arco-Íris, hoje queria deixar também um provérbio popular.

"ARCO-ÍRIS"

«Arco ao nascente e arco ao poente, faz o céu contente.
Arco celeste de manhã, mal do pobre que não tem pão e da ovelha que não tem lã.
Arco celeste de manhã, pobre da ovelha que não tem lã.
Arco de manhã, vento de tarde.
Arco de perto, chuva de longe; arco de longe, chuva de perto.
Arco de tarde, serenidade.
Arco na serra, chuva na terra.
Arco no mar, chuva no ar.
Arco pela manhã, pela tarde tormenta, arco pela tarde, pela manhã calma.
Arco-da-velha ao sol-nado, água antes de tirar o gado.
Arco-da-velha de manhã sem água, à tarde diz que vem.
Arco-da-velha de tarde, de manhã mansidade.
Arco-da-velha direito ao poente, solta os bois e vem-te.
Arco-da-velha por água espera.
Arco-íris à tarde não vem cá debalde.
Arco-íris à tarde não vem em debalde.
Arco-íris ao amanhecer, água antes de anoitecer.
Arco-íris ao meio-dia, chuva todo o dia.
Arco-íris ao poente, solta os bois e vem-te.
Arco-íris contra a serra, chuva na terra; arco-íris contra o mar, tira os bois e põe-te a lavrar.
Arco-íris contra a serra, chuva na terra; arco-íris contra o mar, põe-te a lavrar.

Circo ao largo, chuva perto.
Circo ao longe, água de perto; circo de perto, água ao longe.
Circo grande, água perto.
Circo na serra, água na rua.

Dois arcos no céu, carrega o chapéu.

Quando a velha põe o arco à chuva, depressa enxuga.»


Estes provébios foram retirados do site http://web.rcts.pt/~pr1085/Prov/Corpo.htm.

Beijokas e um Xi-Y


02/04/07

Vamos agarrar o arco-íris

Carolina era uma menina que vivia no campo e gostava tanto e correr e de saltar! Às árvores trepar era um gosto desde manhã ao sol-posto!
- Carolina! Ó Carolina! - sua mãe dizia: - Sempre a correr! Que andas tu lá fora a fazer?
Mas ela já nem ouvia. Corria, corria:
- Ó Afonso! Francisco! - Gritava, chamando os amigos - Manuel! Venham muito depressa! Está quase a chover; mas venham todos ver! Está acolá um arco-íris tão lindo!
Num instante, estavam todos a olhar para o céu, a ver o arco-íris.
- Ai! Que bonito! É mesmo muito bonito! E tem tantas cores! – disseram em coro.
E o José:
- Vamos agarrá-lo? Eu quero a cor vermelha!
- E eu – disse a Carolina – quero aquela que é igual às violetas da vó-vó!
- E eu a verde - disse o Francisco - igual à minha nuvem.
- Para mim é a amarela! – disse o Manuel.
E o Afonso:
- A minha - já todos sabem - é a azul.
- Vamos, vamos lá agarrar as nossas cores. - dizia o José.
E o Afonso, todo despachado:
- Eu acho que não é nada longe! Se correrem todos atrás de mim, vamos lá chegar num instante.
- Cuidado com o Manelito - dizia o Francisco – que ainda é pequenito! Mas não faz mal; eu ajudo. Dá cá a tua mão, sim?
E o Afonso:
- Pois é! Isto é tudo muito perigoso para o Manel!
E corriam... corriam...
Mas... mmmm... mmmm... Fazia a Carolina:
- O arco-íris está a fugir-nos! Se calhar pôs-se a jogar às escondidas connosco! Assim nunca mais o apanhamos!
- Pois é... - respondeu o Francisco. – Também já não estou a ficar contente, porque o arco-íris vai fugindo, fugindo, e fica cada vez mais longe de nós!
E a Carolina:
- Sentem-se todos aqui a descansar, que eu vou chorar... Só um bocadinho!
E então, todos ali sentados, estavam à espera que ela chorasse aquele bocadinho.
Mas... foi então que chegou o João, que por ser mais velhinho sabia muitas coisas a respeito do arco-íris que no céu se pode ver, quando está para chover.
- Agarrar o arco-íris?! Mas isso não pode ser! - Disse. E lá explicou: O arco-íris é a luz branca do sol, que se “desmancha” toda quando passa pelas gotinhas da chuva e apresenta aquelas sete cores que estamos todos a ver, das quais já não posso escolher muito, porque só me deixaram duas! Bom, escolho o laranja. O índigo não fica escolhido. É muito bonito, o arco-íris, pois é! Mas é só para ver, não se pode prender! Portanto, meus amigos, vamos mas é lanchar que a fome já está a apertar...
Lá voltaram todos para casa da Carolina. Esperava-os uma mesa cheiinha de coisas boas: pipocas, pão fresco, queijo, compota, leite, sumo e também chocolates.
E ficaram todos tão ocupados e entusiasmados, que nem perceberam que, lá fora, também já a terra ia bebendo as grossas gotas da água da chuva que ia caindo do céu.

Texto escrito por Dulce Vieira, em Contos infantis, 2001
Beijokas e um Xi-Y
Atenção: Ver caixa de "Truques e Dicas", «Como fazer um arco-íris»